June 28, 2006

Not boring nor even funny life

Sei que faz um tempo que não posto. Mas é que nunca quis dar caráter de diário a esse blog. Mas já que as pessoas acessam, é bom que tenham algo de novo com o que se entreter. Nesse momento faço uma busca sobre os hábitos femininos na internet - nível Brasil. Como fiquei rasoavelmente satisfeito com algumas coisas que achei (preciso filtrar ainda) resolvi dar uma postadinha. (Primeira e ultima vez que uso esse termo, já que foi escroto)

Desculpem-me a velha estratégia de itemizar/bulletizar/topicar, mas trabalhar muito com .ppt me faz pensar assim:

- trilha sonora da tarde fria: Nouvelle Vague + Odair José + Snow Patrol

- a dúvida: comprar um MacBook ou um Notebook com windows e tal...

Aah! leitores desse famigerado espaço: ME FORMEI PORRA!! (leia-se MÍ-FORMEI, PÔRRA!)

LOST: entrei na onda. atrasado mas cheguei. estou no espisódio 9 da 1ª temporada. DUKA!

coffe time.... o interessante desse post é que embora curto - ou não - foi feito durante uma tarde toda...

agora escuto Shins.

só uma idéia sobre a qual pensei esses dias:

Porra a gente vê na Copa a galera dos países fazendo festa e tal. Me desculpe, o Brasil não tem uma marca registrada. Porra, a baiana, o gaúcho, são diversas culturas, mas a gente não tem um ícone entende? Quem é paulista de classe média então, coitado hahaha, pode desistir, não tem simbolo algum. Vai mandar a criancinha vestida de índio na festa da escola, mas não tem o que fazer. Não tem cultura popular. Não mesmo. Podem dizer que é porque somos um país continental, EUA é meio assim também.

Mas pô, sombrero e etc é México, ninguém tira. Tango é Argentina. E a gente é o que? Isso dá pano pra diversos posts e teses, mas a pressa e a preguiça (muito amigas inclusive) me fazem escrever agora mesmo.

Bom, vou me abreviar. Coloco logo umas imagens bonitinhas de referências aleatórias pra animar o post e me mando.

"Ah, mas e a dica cultural?"

Livro: COMA
Autor: Alex Garland.
D+!

June 22, 2006

Living is easy with your eyes closed
















Paciência (lenine)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (Tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára (a vida não pára não)

Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára (a vida não para não... a vida não pára)

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eu sei, difícil é pedir paciência quando se está estupida e
irracionalmente impaciente. mas vá lá....

June 15, 2006

Tipo fudeu

Porra, fui aproveitar o feriado aqui na agência, to navegando como sempre, fui comprar umas raízes sagradas egípcias que estimulam os sonhos, para contato com ancestrais, só que tão gerando varios pedidos, replicados, no meu cartão... CaralhO! Ou cancelam ou vou ficar muito louco com U$ 200 de flores sagradas!

June 13, 2006

Cigarette Burns

Um cara é pago por um colecionador louco (clara alusão ao Último Portal, do Polanski) para achar uma cópia de um filme raro, de nome La Fin Absolue Du Monde, considerado o Santo Gral do cinema. Os rumores dizem que na única exibição, trinta anos antes, o filme fez com que os telespectadores criassem impulsos homicidas brutais e canibais. A busca incessante se torna obsessão do protagonista, inicialmente disposto a simplesmente entregar o filme ao colecionador pra receber a grana, mas depois fica fortemente afetado pela proximidade crescente com o filme.
Um sobrevivente da sessão é um jornalista, que passou os últimos 30 anos escrevendo uma crítica infinita sobre o filme. Quando entrevistado pelo protagonista, ele fala sobre a confiança que um telespectador coloca nas mãos de um diretor, quando se senta numa sala escura por duas horas assistindo ao seu trabalho. O telespectador confia que o diretor só vai chegar perto do limite, mas sem quebrá-lo. Por isso ele descreve o diretor de La Fin Absolue Du Monde como um terrorista. Claro que a questão metalinguística é um fator interessante e bem explorado aqui. Um dos recursos usados pelo La Fin Absolue Du Monde são as mensagens subliminares. Mas a idéia básica para que ele funcione tão bem é (citando do próprio filme): "something happen when you put the camera into something terrible". Não vou contar mais pra não estragar!
Alguns dados úteis. O nome é Cigarette Burns, Pesadelo Mortal (dãã) em português. Dirigido pelo John Carpenter, pra quem não sabe um cara fodido do tema. Não é um filme, na verdade. É um dos trabalhos feitos para uma série de TV, chamada Masters of Horros; que reúne diretores famosos do gênero. Então tem só 60 minutos, e é a recomendação do Léo para as férias familiares!

June 10, 2006

R.I.P.

Vou falar sobre as dores do mundo. A dor do mundo cabe no peito de uma pessoa deprimida.
Vou falar da angústia, materializada sob a forma de um ácido que corrói de dentro pra fora, até resultar em lágrimas.
Vou falar que chorei.
Vou falar que sofri.
Vou falar sobre ter e perder alguém.
Vou falar sobre tudo e sobre nada.
Vou falar de mim.
Mas a lápide é curta.

June 9, 2006

Devasso, libertino e sujo com orgulho!


Teste de pureza, o meu deu a honrosa marca de apenas 26,3% =) (isso pq nao entendi todas as perguntas). enjoy it

http://www.geocities.com/bourbonstreet/bayou/8433/testedepureza

Rir é o melhor remédio!















ou um veneno antimonotonia!

June 7, 2006

Quero acordar!!!!

É sério. espero que alguém que leia isso leve a sério. Tudo se seguiu 2 horas após o post de ontem "if winter ends"

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Prólogo: 1- Fato isolado, que exemplifica oq tem acontecido: no domingo sonho q minha mae vem falar comigo e diz que terminou de ler um livro q eu emprestei pra ela e que achou ótimo. fico feliz. acordo, algumas horas depois ela chega e me fala "ah, o livro que vc me emprestou, estou quase terminando, mas achei ótimo". tipo, ha dias nao falavamos sobre o tal livro. sinistro. e mais ainda porque misturou passado e futuro.

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Agora então. Comecemos felos fatos. 18:30 de ontem, dia 6/6/6. (Não, nao tem nada de satánico na história). (ou não). Tenho combinado e comprado ingressos para rever Código DaVinci as 20:30. Aceito convite para O´Mayleys a partir das 10. Ou seja, saio do cinema e colo no pub. Tudo me agrada, tudo fechadíssimo.

Info importante: Não estava com nenhum atraso de sono, além de ter consumido grande quantidade de café ao longo da tarde.

Voltando. quase as 19hs, as dores no peito voltam, fico angústido. Meus ansioliticos acabaram o que me preocupa mais, psicologicamente. Meus jobs estavam relativamente tranquilos. O cinema é aqui do lado, é faltam 1h30 pra seçao. Descido ir até em casa. (Pretendendo voltar pra agência antes do cinema, nem desliguei meu PC, nem nada) Invento qualquer desculpa aqui, embora ainda escute do meu chefe "Omar, tá td bem? Vc ta estranho". Vou pra casa. Chego, tomo 2 doses do ansiolitico. e como um pouco.

Info importante: O ansiolitico em questão é o Frontal. A dose em questão é 0,5 mg. NÃO dá sono. È comum pessoas tomarem 2, 3, mg.

Voltando. Esqueci de citar que voltei o caminho inteiro chorando desesperado. Sem saber o motivo. Voltando a cena de apos ter comido um pouco e ter tomado o remedio. fikei 2 a 3 minutos no sofá e corri para a cama. enfiei a cara no travesseiro procurando alguma paz de pensamento. Eu estava muito afim de ir no cinema e seguido de pub.

Fato na waking life: Acordei 8hs da manhâ. Uma sequencia de 14hs de sono como não tinha há meses, quiçá anos.

AGORA O QUE ME ASSUSTA:

Fatos na dreaming life: Os sonhos foram diversos e nebulos, como têm sido. Sonho com situaçoes que aconteceram no dia anterior, fatos do dia seguinte e acontecimentos que ocorreriam caso estivesse acordado. Estive no cinema, fui ao Pub, voltei pra agência. Até aí menos grave. O que me preocupa e me deixa confuso até agora são os seguintes fatos:

1- cenas desagradaveis das quais não consigo sair (como num pesadelo em que acordamos de susto). numa delas, acordei em meu velório.

2- o fato de sonhar com coisas proximas, fatos proximos, e eles parecerem bem reais e envolverem o futuro.

3- nao conseguir acordar. essa noite acordei 4 vezes. numa era 14:30 e minha mae estava comigo, outra era meu velório, outra era meia noite e eu ateh me arrumava pra sair. nenhuma delas aconteceu de verdade. mas em todas e tinha a certeza de que tinha levantado, ido ateh a sala e pego meu celular pra ver a hora.

estou me sentindo com as duvidas de xxxxxx (eh um filme q lembrei d manha e agora eskeci), com o desespero de efeito borboleta e a confusao de vanilla sky. eh isso. precisava contar pq to muito confuso. ja perguntei pra muita gente hoje se tal coisa feita tinha sido hoje. e foi ontem. parece q to vivendo duas vezes o mesmo dia. ou uma vez 3 dias. ontem, hoje e amanha.

não quero mais dormir.

June 6, 2006

if winter ends

é comum ouvirmos a expressão "dor no peito". normalmente utilizada quando se fala de um sentimento forte, doloroso. pois bem. é a dor no peito que me traz aqui. não, não estou passando por nenhuma crise aguda. mas nesses últimos tempos, tendo andado vulnerável, pude sentir realmente a que se refere essa expressão. dúvido que muitos já tenham sentido. foram momentos em que senti um profundo sentimento de amargor e arrependimento, uma palavra ouvida mal compreendida, e que doeu. Foram algumas, possivelmente quatro vezes nos útilmos meses, em que ao ouvir certas coisas que me machucaram, senti uma pontada forte no coração. Agora não me refiro a metaforas, digo mesmo da dor física, um arrepio interno, quase que uma sensação de que algo queimava por dentro. Seguido de um calafrio, um nervosismo, quase o choro na garganta. Maus bocados. Duram segundos, mas intermináveis. Normalmente me diagnosttico com algumas doses do ansíolitico. O mesmo que até dias atrás era companheiro obrigatório de todas as noites, mas que agora, por prescrição, fica a cargo de minha decisão. "Quanto e quando for necessário", disse o doutor. Mundo, não aumente essa frequência. Mundo, delicadeza no tato. Mundo, go fuck you all. E a dor voltou. Maldita doença. só engana.

June 5, 2006

May 30, 2006

Muito Bem Comida

Velhas Virgens

Agora você vem pedindo mais
e eu sabia que ia ser assim
uma noitada daquelas não se esquece jamais
e eu te dei o melhor de mim
você é dessas meninas deslumbrantes
que só namora com homens perfeitos
corpo de atleta, cara de modelo
e na hora da febre nada feito
Aí caiu na mão desse cervejeiro
olhar matreiro e barriguinha pró

e eu te fiz gozar e ver a vida
te fiz gemer até não ter mais dó
põe tudo! põe tudo!
você gemia e pedia bis
põe tudo! põe tudo!
na horizontal é que te fiz feliz
Aqui em casa você se encontrou
já não quer mais cantar ou ser atriz
de avental fazendo o jantar
já não quer mais desfilar nem ser miss
eu de chinelo, a barba por fazer
tomando "uma" e vendo futebol
você tarada e sempre atrevida
sabendo que tá muito bem comida.
Aí caiu na mão desse cervejeiro
olhar matreiro e barriguinha pró
e eu te fiz gozar e ver a vida
te fiz gemer até não ter mais dó
põe tudo! põe tudo!
você gemia e pedia bis
põe tudo! põe tudo!
na horizontal é que te fiz feliz

aHUHUAhuaHUAhuaHUAaHU Minha música e da Lu!
Romântica né?

Eu diria - praqueles que ainda me ouvem - que: se você quer entender a si mesmo ouça Vinícius; se quer entender as mulheres escute Chico; mas se quer realmente entender as mulheres tem que ouvir Velhas Virgens caralhoo !

May 19, 2006

E sei....

Não sei onde eu to indo
Mas sei que eu to no meu caminho
Enquanto você me critica, eu to no meu caminho
Eu sou o que sou, porque eu vivo a minha maneira
Só sei que eu sinto que foi sempre assim minha vida inteira
Eu sei..
Não sei onde eu to indo
Mas sei que eu to no meu caminho
Enquanto você me critica, eu to meu caminho
Desde aquele tempo enquanto o resto da turma se juntava
prá bater uma bola!
Eu pulava o muro, com Zézinho no fundo do quintal da escola
Não sei onde eu to indo
Mas sei que eu to no meu caminho
Enquanto você me critica, eu to meu caminho
Você esperando respostas, olhando pro espaço
E eu tão ocupado vivendo, eu não me pergunto, eu faço
Não sei onde eu to indo
Mas sei que eu to no meu caminho
Enquanto você me critica, eu to meu caminho
E se você quiser contar comigo é melhor não me chamar pra jogar bola
To pulando o muro com o Zézinho no fundo do quintal da escola
Eu to...

May 17, 2006

Síndrome do atraso

Seguinte hoje é o dia que vou tirar foto para minha formatura só que eu ainda não aderi. Foram mais de 18 prazos, desde outubro do ano passado, e eu atrasei todos. Quando li essa reportagem, me identifiquei e achei muito útil, por isso divugo. Saiu no mais! da folha de umas 2 semanas atrás. Vale a pena ler! (As ilustrações foram escolha minha)

"Para o psicólogo norte-americano Joseph R. Ferrari, cerca de 25% das pessoas que postergam até o limite a entrega de trabalhos escolares ou a declaração do Imposto de Renda sofrem de procrastinação crônica.

Síndrome do atraso

DANIEL BUARQUE
DA REDAÇÃO

A recompensa pelo atraso e a inexistência de um incentivo para que as pessoas se adiantem são as razões, segundo o professor de psicologia na Universidade DePaul (Chicago) Joseph R. Ferrari, para que mais da metade dos 22 milhões de contribuintes brasileiros (cerca de 12 milhões de pessoas) tenham deixado para fazer sua declaração de Imposto de Renda nos últimos dez dias do prazo -que se encerra na sexta-, enquanto só 32 mil (0,14% do total de contribuintes) o tenham feito no primeiro dia (dados da Receita Federal).
Segundo Ferrari, que é co-editor de "Procrastination and Task Avoidance - Theory, Research, and Treatment" [Procrastinação e Evitação de Tarefas - Teoria, Pesquisa e Tratamento, Plenum Publications, 1995], para cerca de 75% da população mundial o problema do atraso é uma questão de organização e hierarquização de prioridades e mudaria com algum incentivo ao adiantamento. Já para os 25% restantes, o problema é psicológico e necessita de tratamento. São os procrastinadores crônicos.
O principal diferencial do Brasil, para ele, está ligado à cultura. Em entrevista à Folha, Ferrari parte de dados coletados no Peru e na Venezuela para diagnosticar que na América Latina como um todo há um conceito diferente -mais permissivo- de procrastinação, em comparação com o americano e o europeu.


Folha - A procrastinação de uma tarefa como a declaração do Imposto de Renda é igual, do ponto de vista psicológico, à do horário de uma festa ou ao adiamento das compras de Natal?

Joseph R. Ferrari -
Para cerca de 25% das pessoas, os que chamamos de procrastinadores crônicos, aqueles que sempre arrumam uma desculpa para não realizar suas tarefas, independentemente de organização e hierarquia de prioridades, é a mesma coisa; para o restante, não. Há as pessoas que adiam apenas as compras de Natal, outras que deixam para depois apenas a declaração.
O grande problema, do meu ponto de vista, é que nossos sistemas culturais, tanto nos EUA quanto no Brasil, recompensam o atraso. Não há nenhum incentivo para que as pessoas se adiantem. É possível fazer a declaração de Imposto de Renda com dois meses de antecedência, mas não há incentivo para que as pessoas o façam logo.
Os governos poderiam oferecer benefícios, mesmo que mínimos -como 2% de desconto no valor a ser pago-, incentivando o adiantamento e ganhando também com isso, já que teriam receitas antecipadas, e não seria gerado o caos habitual dos últimos dias de prazo. Não há razão prática que estimule as pessoas a anteciparem a entrega.

Folha - Oferecer essas vantagens financeiras mudaria o comportamento das pessoas?

Ferrari - Para algumas, sim. Mas, para os 25% restantes da sociedade que são os procrastinadores crônicos que diagnosticamos, provavelmente não mudaria nada. Mas, se queremos que o restante da sociedade passe a deixar menos tarefas para depois, sim, o incentivo financeiro mudaria o comportamento e até o padrão de procrastinação. Os procrastinadores crônicos sempre estarão atrasados, mas é possível diminuir o problema diminuindo a taxa de procrastinação em pessoas que não vivem isso como uma doença.

Folha - Como é possível tratar essas pessoas que sofrem de adiamento crônico?

Ferrari - Os procrastinadores crônicos precisam de terapia. Precisa-se mudar a forma como eles pensam e agem, não é apenas um problema de administração de tempo. Para as pessoas "normais", que podem deixar uma ou outra coisa para depois, talvez seja necessária apenas uma melhor organização do tempo, uma hierarquização da importância das tarefas que devem ser realizadas.

Folha - Como as pesquisas sobre procrastinação crônica podem ser aplicadas à realidade do Brasil?

Ferrari - Acho que a questão da América Latina, pelo que discuti com os pesquisadores do Peru e da Venezuela, é a definição cultural daquilo que é procrastinação. No Brasil, como no Peru, atrasar-se para uma festa ou algum evento social talvez seja aceitável. Isso é considerado uma ofensa, um insulto, nos EUA.
O significado dessa procrastinação, portanto, é diferente na América Latina e nos EUA, por mais que as taxas sejam similares. O Brasil precisa entender essa diferença na hora de estudar sua situação. À medida que nos tornamos uma sociedade global, precisamos criar algum padrão para as relações internacionais.

Folha - Há diferenças de comportamento segundo o gênero, a idade ou a classe social?

Ferrari - Gênero e idade, não. No Peru, houve uma diferença quanto às classes sociais, mas dizia respeito mais à educação, que se reflete no comportamento, do que em relação à renda das pessoas.

Folha - A procura imediata por entradas para grandes eventos culturais, como shows cujos ingressos se esgotam rapidamente, demonstra uma mudança no comportamento, segundo o qual pessoas que não se adiantarem ficarão sem ingressos?

Ferrari -
Esse é um ótimo exemplo do que separa as pessoas que adiam algumas tarefas das que têm o adiamento como um problema crônico.
Todo mundo deixa algumas coisas para depois, m
as, na hora em que precisa, acaba correndo atrás para não se prejudicar, por isso os ingressos se esgotam rapidamente, por isso no último dia de declaração de Imposto de Renda tanta gente tenta declarar.
Mas aposto que há muita gente, talvez 20 a 25% do público interessado, que acabou se prejudicando e não conseguiu os ingressos de um determinado evento cultural ou não declarou o imposto. Esses são os procrastinadores crônicos, que chegam a deixar de realizar uma dada tarefa simplesmente por irem deixando para depois, até não poderem mais fazê-la.


May 12, 2006

Tabacaria, pra quem não conhece









    TABACARIA

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordamos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.

    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
    Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

    Álvaro de Campos, 15-1-1928